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Banda Larga deve ficar mais acessível a pessoas carentes

Plano do governo prevê maior adesão à internet por conexão rápida
Por Luana Pequeno

O acesso à banda larga no Brasil deve aumentar e atingir também pessoas de baixa renda. O número de conexões tem aumentado, mas ainda assim é baixo e restrito às regiões mais desenvolvidas e às classes sociais de melhor renda. Em um país com 191 milhões de habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2009, cerca de 18 milhões de brasileiros são assinantes do serviço.

Um levantamento divulgado pelo IBGE em 2009 aponta que entre 2005 e 2008, o acesso à internet no Brasil cresceu 75,3%. O dado faz parte de um suplemento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) referente a 2008, que aponta também a disseminação regional da banda larga. Segundo a pesquisa, a conexão rápida é a principal forma de acesso à internet na região Centro-Oeste, ao contrário da região Norte, que apresenta menor adesão.

Com o intuito de aumentar o número de pessoas com acesso ao serviço de banda larga é que o Governo Federal pretende implantar o Plano Nacional de Banda Larga. De autoria do Ministério das Comunicações, o plano prevê reunir R$ 75 bilhões até 2014 em investimentos públicos e privados nas redes de telefonia. A ideia é levar o serviço de banda larga de pelo menos 1 Mbps a todos os municípios do Brasil a custo acessível para pessoas de baixa renda.

Para a coordenadora da Rede Saci, Ana Maria Barbosa, o acesso à internet por meio de uma tecnologia um pouco melhor como a banda larga, ainda é um recurso caro para a maior parte da população. Ela ressalta que o serviço deixa muito a desejar no Brasil, mesmo na proposta do plano. “1 Mbps é uma velocidade pífia, que na realidade cai a menos da metade”, diz.

Já para o coordenador do Comitê para Democratização da Informática (CDI), Marcel Fukayama, o fato de o governo começar a trabalhar nessa questão é um passo enorme. “O acesso à internet é uma questão pública e nota-se que diversas áreas do governo, em todas as esferas (federal, estadual e municipal), estão empenhadas em mudar essa realidade de exclusão digital”, afirma.

De acordo com Fukayama, no entanto, há três pontos de atenção que o governo tem que trabalhar com cuidado. O primeiro é em relação às Lan Houses. Para ele, incentivar o uso do computador em casa, que hoje é restrito a 28% da população, é como incentivar a compra de carro particular ao invés de investir em transporte público. O coordenador do CDI acredita que o uso da banda larga em Lan Houses beneficia a distribuição do serviço, além de ser uma forma sustentável, já que o aumento do número de computadores nas residências implica na questão do lixo eletrônico.

O segundo ponto se refere ao modo como o governo vai se posicionar com relação às operadoras que têm concessão através do leilão da Telebrás de 1997 e, o último, diz respeito à reativação da Telebrás. Fukayama questiona se é realmente necessário reviver a empresa para administrar e executar o plano, tendo em vista a estrutura estatal burocrática e onerosa.

O Plano Nacional de Banda Larga pretende usar redes de fibra óptica que já existem pelo país, mas que estão ociosas, para criar conexões com redes móveis, a fim de atender municípios afastados e zonas rurais. O que se discute no momento é saber qual a melhor maneira para gerir os investimentos nestas redes. Além da criação da Telebrás como uma grande estatal para fornecer banda larga, o governo também estuda a entrega das redes à iniciativa privada, ou um modelo que prevê que empresas públicas e privadas administrem elas.

Fonte: O Estado RJ

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